Adolescente confessa chacina em Campo Mourão e entrega arma à polícia
Foto: Divulgação
Adolescente de 15 anos confessa à polícia autoria da chacina em Campo Mourão que matou duas pessoas e feriu outras quatro, alegando vingança contra o alvo do ataque.
O caso que chocou Campo Mourão e ganhou repercussão nacional na última sexta-feira (17) teve um desfecho decisivo nesta segunda-feira (20 de julho). O adolescente de 15 anos, apontado como autor do ataque a tiros em uma conveniência no Centro da cidade, apresentou-se espontaneamente na 16ª Subdivisão Policial (SDP). Acompanhado de seu advogado, o jovem assumiu integralmente a autoria do crime, entregou a arma utilizada no ataque, uma pistola calibre 9 milímetros, e prestou depoimento afirmando estar arrependido.
Vingança premeditada
Durante coletiva de imprensa, a delegada Laís Alves, responsável pelas investigações, detalhou a versão apresentada pelo menor infrator: o massacre foi motivado por um sentimento de vingança direcionado a Veridiana Gaya Menin Machado Sate. Segundo o adolescente, em 2024 Veridiana teria coordenado ações que resultaram em lesões corporais severas contra ele e sua mãe. Depois desses eventos, o irmão do atirador foi assassinado, e a arma usada no crime pertencia justamente a esse irmão falecido, guardada à espera de uma oportunidade de vingança.
O jovem confessou que planejava a ação havia muito tempo. Na noite do crime, ao saber que o alvo estava na conveniência, passou diversas vezes em frente ao estabelecimento para confirmar a presença de Veridiana antes de atirar. O delegado-chefe da 16ª SDP, Nilson Rodrigues da Silva, atribuiu a tragédia coletiva à imperícia do atirador: "Ele disse que o alvo era apenas a Veridiana. Como não é atirador, efetuou disparos de uma distância em que praticamente não havia como atingir somente ela, acabando por acertar outras pessoas."
Fuga e explosivos ainda são investigados
A Polícia Civil ressalta que não adota a versão do suspeito como verdade absoluta e mantém frentes de investigação abertas. A mulher apontada por dar apoio logístico na fuga foi ouvida e, após inicialmente permanecer em silêncio, confirmou ter auxiliado o jovem, mas alegou que só o fez depois de ele retornar para casa e trocar de roupa, afirmando desconhecer o atentado.
Questionado sobre os 500 metros de cordel detonante encontrados pela PM na casa de sua mãe no sábado, o adolescente disse ter "encontrado o material durante uma pescaria em um lago" e decidido levá-lo para casa. A delegada Laís Alves garantiu que essa versão será minuciosamente investigada. A mãe do adolescente, presa em flagrante no fim de semana pela localização de explosivos, munições e drogas no imóvel, foi colocada em liberdade pela Justiça e responderá ao processo solta.
O saldo da tragédia
O delegado Nilson Rodrigues da Silva classificou a ação como "um crime bárbaro e um dos mais graves registrados no município nos últimos anos", destacando que as vítimas eram pessoas trabalhadoras e conhecidas na comunidade. O ataque ocorreu na conveniência localizada no cruzamento da Avenida Guilherme de Paula Xavier com a Rua Mato Grosso.
Marcio Bertholdi Geraldo (43 anos) e Michael Zachytko Cavalcante (38 anos) foram atingidos de forma fatal e morreram ainda no local. Veridiana Gaya Menin Machado Sate (40 anos), apontada como o alvo do atirador, foi socorrida em estado gravíssimo. Izabela Roberto de Carvalho (23 anos) foi atingida no rosto, perdeu a visão do olho esquerdo e permanece internada. Fábio Piassa (41 anos) foi alvejado gravemente, com o disparo atingindo sua coluna e causando lesões severas no baço e em um dos rins, seguindo hospitalizado em cuidados intensivos.
Próximos passos
O adolescente foi apreendido por força de medida cautelar expedida pelo Juízo da Vara da Infância e da Juventude e encaminhado ao Centro de Socioeducação (Cense) de Campo Mourão. A pistola 9 milímetros foi enviada para a Polícia Científica para exames de balística. As autoridades também investigam a suspeita de envolvimento do menor em outros delitos recentes na cidade.